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Filtro Dub “Nova Ordem” (EP Completo 2015)

#INDIETRACKER 18 Voltando da praia depois de um ano novo bem debreado, ouvindo um velho som do Marcelo nos tempos de Planet alguém dispara: “Porra, faz tempo que ninguém faz um som um pouco mais pegado por aqui”… Coincidência ou não, na última segunda ouvi o novo EP da Filtro Dub o “Nova Ordem”. A banda é de Porto Alegre e se caracteriza como eles mesmo dizem por uma mistura de Funk, Rock, Reggae, Rap e de otras cositas más. Bandas como Rage Against the MachineGorillaz, Red Hot Chili Peppers ao Rap Nacional como Criolo são inspiração. O quarteto é composto por Lucas Barbosa, Rafael Medeiros, Rodrigo Jacques e Leonardo Storniolo. São três pedradas (mas a verdade é que podiam ser bem mais pq a sonzeira tá demais), confere aí:

http://www.youtube.com/watch?v=ljwhwlnoa5s Continuar lendo Filtro Dub “Nova Ordem” (EP Completo 2015)

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Caminhos Livres, festival de rua rouba a cena em Porto Alegre

Desde 2013 um evento de rua vem roubando a cena nas tardes de domingo, na terceira edição do Caminhos Livres,  colaboradores e parceiros ajudam a manter os mesmos princípios e os mesmos ideais cultivados desde o começo. Levando a beleza da arte ao espaço público, mostram mais uma vez que somos uma geração de criadores e realizadores. A cerveja e a gastronomia local também chamaram a atenção, excelentes hambúrgueres e cervejas artesanais de altíssima qualidade, Red Ale da Al Capone leva o prêmio Mokasha de Degustadores de Cerveja (se ele existisse).

Dos shows que animaram a tarde do último dia 30, rolou Paradise Sessions, Marmota Jazz, Stereosound, Acústico Gelpi, Good Samaritans e outros… Destaque para o Bruno Mad, curte aí:

Segue algumas fotos do evento, no próximo vê se não perde! Quem sabe teremos o evento em outras cidades ano que vem..

No Diggity / I Need a Dollar (Scopel e Cassel)

Para o #INDIETRACKER 15 um som com cara gringa, mas gravado em Los Angeles por um casal daqui de Porto Alegre mesmo. Curiosamente, a música que eles escolheram me lembra a própria cidade onde a música foi gravada e um momento em particular. Nada especial, mas o suficiente para chamar a minha atenção e me fazer colocar a lente na câmera. Um morador de rua que conversava com uma garota, talvez a assistente social local, mas provavelmente apenas uma estudante com seu caderno na mão e fazendo algumas poucas anotações. Ao fundo uma loja de som automotivo Hollywood Sound, desse detalhe eu não lembrava. Esse cara, provavelmente precise de um dólar.hollywood sound

Rodrigo Scopel e Fernanda Cassel fazem um mash up de No Diggity (Blackstreet) e I Need a Dollar (Aloe Blacc). No Youtube você provavelmente encontre outras versões do mesmo combinado, mas olhei todos, esta é a melhor.

No canal de Rodrigo Scopel (clique aqui) você pode conferir mais alguns sons do cara. Enquanto isso, ficamos no aguardo por mais Fernanda Cassel…

Nico Nicolaiewsky

Cara caralho, junto com Humberto, Nico foi o artista mais emblemático da cidade, de Porto Alegre ninguém era mais interessante do que ele. Às vésperas de comemorar 30 anos de Tangos & Tragédias, Nico recebe o diagnóstico de leucemia e é internado às pressas. O tratamento, no entanto, não é suficiente para retardar o avanço da doença e ele vem a falecer na madrugada do dia 7 de fevereiro de 2014, aos 56 anos. Na manhã seguinte, sua foto na capa jornal era ao mesmo tempo tão bonita mas tão triste. Um pouco melancólico, como uma de suas músicas. Mas é a vida real, e eu ainda queria mais Nico. De suas letras, ainda escuto “gritar para o mundo, eu quero outra chance!!”. Como se já soubesse. Todo mundo tem alguém que não está, todo mundo tem saudade. Dentre as muitas homenagens, Humberto Gessinger foi muito certeiro em seu post no blogessinger:

Quando compus Segura a Onda Dorian Gray, de cara pensei em convidar o Nico para participar da gravação. Ser fã nunca me pareceu, por si só, um motivo razoável para convidar alguém para uma parceria. O que realmente me levou a pensar nele foi sua voz frágil e forte (perdão pelo paradoxo), a sensibilidade fina para o humor melancólico e seu jeito de tocar acordeon. Mesmo num estado onde este é um instrumento central, com milhares de gaiteiros, a gaita do Nico soa muito particular.

O convite foi feito e aceito por email. Numa das mensagens, anexei a letra e uma gravação caseira da canção .

No dia marcado, Nico chegou ao estúdio e, depois de um papo leve e engraçado, tirou o instrumento do estojo e uma cópia da letra do bolso. Antes de começarmos a tocar, ele falou sobre algo que devia estar incomodando-o desde que ouvira Segura a Onda Dorian Gray pela primeira vez. Apontando a palavra caralho num dos versos da letra, disse: “Isso eu não posso cantar”.

Que do caralho! Esse lirismo radical, aparentemente fora de época, era exatamente o que eu queria para o disco, para essa música! Alguém que ainda achasse que caralho é palavrão! Alguém que ainda acreditasse não haver lugar para palavrões em canções de amor!
Afudê!“, exclamei. Era isso mesmo que pedia aquela canção sobre amor eterno e incondicional em tempos que não poupam nem os quinze minutos do Andy Warhol.

Como iríamos cantar estes versos juntos, numa harmonia abolerada, sugeri que eu mantivesse “Caralho, como estou ficando velho” e que ele mudasse para “Cara, como estou ficando velho“.

Não seria, na métrica, a solução mais limpa, mas tinha tudo a ver com o conceito do disco Insular (a crença de que todo artista constrói um mundo próprio com sua arte e a vontade de conectar estas ilhas com pontes que respeitem suas particulariedades).

Nico, pra quem não sabe, é o seguinte: trata-se de um artista de verdade. Numa das passadas que demos na música, ele sacudiu levemente a cabeça com um sorriso igualmente leve (Nico sempre soa leve sem ser leviano) e, sem dizer nada, passou a cantar “caralho“.

Afudê 2! Artistas de verdade não se prendem a esquemas pré-estabelecidos.

Eu já havia gravado violões, baixo e bandolim; a base da canção estava pronta. Nico foi pra sala de gravação e colocou os fones. Dei um play pra ele sacar se o equilíbrio entre os instrumentos estava legal, se a mixagem estava confortável para gravar a gaita.

Dei um stop e perguntei se ele queria ouvir mais clic (o toc-toc-toc que marca o tempo da música). Nico se inclinou em direção aos microfones posicionados para captar as duas mãos do acordeon e disse enfaticamente: “Não! Sou alérgico a metrônomo!”.

Afudê 3! Era isso que a música pedia! Um “não” ao tecnicismo engessado de notas teoricamente perfeitas no tempo mecanicamente exato.

Já com o disco pronto, convidei Nico para participar do show de lançamento em Porto Alegre. Nos reunimos para ensaiar um dia antes. No fim do ensaio, pedi que ele autografasse meu acordeon.

Ele ficou compreensivelmente embaraçado. Reconheço que é um pedido xarope. Mas os encontros proporcionados pelo Insular foram tão bacanas! Eu queria mesmo guardar mais esta lembrança. Minha gaita já tinha a assinatura do Borges e Bebeto havia assinado meu violão.

Nico concordou, mas ficou em dúvida sobre o que escrever. Falei com voz solene que teríamos que levar a gaita a um cartório pra reconhecer firma. Abaixo do nome, sorrindo, ele escreveu: “CNPJ: …..”

Afudê 4! Um grande artista que não se leva muito a sério.
O show aconteceu no auditório Araújo Vianna, onde inúmeras vezes eu havia assistido ao Saracura. A foto abaixo é, literalmente, a última imagem que tenho do Nico (não nos encontramos na balbúrdia pós-show). Ele está sorrindo, no palco, depois de uma canção. Eu, agradecendo. Valeu, Nico!

Insular – Humberto Gessinger

#INDIETRACKER 10

Insular – Humberto Gessinger

A rua com meu nome
É avenida anonimato
Aquele um, aquele outro
Não tem cão, caça com gato
Um fake com meu nome
Um clone delirante
Mal sabe o coitado
Que um só já é o bastante
Só você sabe quem eu sou
Só você sabe como é

Humberto Gessinger:
Voz, baixo, guitarra de 12 cordas, violão, teclados, harmônica
Rafael Bisogno:
Bateria

Você já viu algum show ao vivo deste gênio? Conte pra nós como foi..

Prefeito de Porto Alegre chuta o balde com aeronave da America Airlines: “Uma sucata”

Ao voltar de viagem, de férias em Miami nos Estados Unidos, o prefeito de Porto Alegre José Fortunati não aguentou e desabafou vou xingar muito no twitter contra o serviço prestado pela companhia aérea norte americana e disse que a aeronave se parecia com uma sucata.

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Mas prefeito, você já andou de ônibus em sua própria cidade?

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Bonecos de Neve Brasileiros

Fazia tempo que a neve não caia por aqui. Mas essa semana ela apareceu. E, junto com ela, apareceu também o talento de um povo, artistas Brasileiros, escultores da neve nos enchem de orgulho! A página Bonecos de Neve Brasileiros não deixou por menos, sucesso intântaneo no facebook, reúne diversas fotografias de esculturas feitas na neve aqui mesmo, no Brasil… São diversas formas, desde os sorrisos mais inusitadas até mesmo bonecos de dar inveja a qualquer artista russo. Já são  17 mil curtidas, confira mais no link:

https://facebook.com/bonecosdenevebrasileiros

Colabore, envie a sua foto para pedro@mokasha.com

NA ARÁBIA OS LADRÕES SÃO AMPUTADOS NO BRASIL SÃO DEPUTADOS

Os protestos não podem parar, chame a atenção sem usar de violência, abuse de sua criatividade e humor para fazer barulho. A galeria de fotos trás os cartazes mais criativos das manifestações dos últimos dias. 

Não fique sentado em casa vendo a revolução passar despercebida por você! A Revolução NÃO vai passar na TV!! #VEMPRARUA

Lembrem-se que não é “só” por 20 centavos, é por DIREITOS!

Quem não for para a passeata no centro, que saiam (e fiquem) em frente as suas casas, também com cartazes, gritos, paneladas, ou que fiquem nas janelas com um lenço branco, em apoio.

Colabore, mande suas fotos para pedro@mokasha.com.

 

Polícias abaixem suas armas, é dia de copa

Se você vive em São Paulo, ou em qualquer lugar do mundo nessas alturas, deve estar sabendo dos conflitos que têm acontecido na cidade. Tudo começou, com o anúncio do aumento da passagem de ônibus, metrô e trem, de R$ 3,00, para R$ 3,20. Mas, ao contrário do que muita gente tem dito, toda essa revolução criada e organizada pelos habitantes da cidade, não tem nada a ver com R$ 0,20 centavos – esse aumento (ainda injustificável, já que a população não terá nenhum benefício que justificaria esse aumento) é apenas o estopim de um povo que está cansado de sofrer abusos de um governo corrupto que não está nem aí para as necessidades e direitos das pessoas – povo esse, que paga o salário de todos os políticos. Inclusive o do governador Geraldo Alckmin e do prefeito Fernando Haddad que, nesse momento de crise, estão em Paris, e se referem ao povo – aquele mesmo que deu o voto de confiança neles – como “vândalos” que precisam ser punidos.

A mídia pode – e vai manipular – as informações. Mas cenas gravadas e fotografadas pelas pessoas e espalhadas na internet, mostram toda a verdade que os grandes veículos querem esconder. Como no vídeo abaixo, no qual um Policial Militar quebra o vidro da própria viatura, para atribuir a culpa aos manifestantes e justificar a reação violenta:

Por isso, se você pode pagar todos os impostos abusivos cobrados pelo governo, bom para você. Mas não se manifeste contra o direito do povo. Não enfraqueça a voz da população. Não diga besteiras por estar pensando somente no teu lindo umbigo. Afinal, um dia o jogo pode virar, e você pode estar precisando da voz da população para lutar por algum direito seu ferido. Lembre-se: Não é pelos R$ 0,20 centavos. É pelo direito de um povo que cansou de ser violentado e que quer honrar o lema impresso na bandeira de São Paulo: Non dvcor, dvco, ou “Não sou conduzido, conduzo”.

por Casal Sem Vergonha.

Despirocar, Apanhador Só

Faz tempo eu tô com azia, durmo mal, tenho alergia. Quando acordo, nem bom dia, e a ducha fria ainda me dói. Em atraso permanente escolho a roupa, escovo os dentes, abro a porta da frente e a luz do dia me corrói. Então eu me pergunto, quando sobra algum segundo em que eu reflito sobre o mundo, se funciona e coisa e tal, concluo que tá preta a situação, pra lá de azeda, o leite que ainda sai da teta nem sequer é integral, desesperado eu penso em gargalhar, mas decido respeitar a minha dor, talvez seja melhor despirocar. De vez, talvez, de vez. Talvez, de vez. No bus eu subo afoito, engolindo algum biscoito acotovelo logo uns oito, eu tô cansado e vô sentar, depois do chacoalhaço, tô no trampo e um palhaço mesmo me vendo um bagaço, já começa a me ordenhar, digito, atendo o fone, meio dia eu sinto fome me levanto sem meu nome e vou pra fila do buffet, depois de dois cigarros, acomodo o meu pigarro, me reponho de bom grado e termino o afazer. Cansado eu chego em casa, o willian bonner me afaga, me contando alguma fábula de algo que ocorreu, requento qualquer rango, cambaleio até o meu canto, ainda nem fechei o tampo e o meu corpo adormeceu. Desesperado eu penso em gargalhar, mas decido respeitar a minha dor. Talvez seja melhor despirocar.